21 de agosto de 2008

Diretor de Inovação da HP visita o Brasil

Hoje tive o privilégio de assistir a palestra de Rich Friedrich, Open Innovation Officer e diretor do laboratório de inovação da HP, o HP Labs. O evento aconteceu no auditório do prédio de engenharia elétrica da Poli na USP.

O HP Labs é o principal núcleo de desenvolvimento da HP. Ele conta com 600 profissionais trabalhando em 7 localidades diferentes, uma delas fica em Campinas (SP). Sua verba anual de desenvolvimento é de 3,5 bilhões de dólares. Suas inovações são incorporadas a produtos e serviços no prazo de 3 a 5 anos, quando atingem níveis econômicos interessantes de produção (custo) e consumo (preço final).

Rich destacou o Dynamic Smart Cooling, um conjunto de tecnologias que permitem o monitoramento e controle da temperatura dentro de data centers de forma a reduzir o consumo de energia elétrica em até 40%, além de ajudar a gestão ecologicamente correta de recursos.

Também foi citada a parceria com a Dreamworks, onde os times de artistas e animadores contaram com uma infra-estrutura composta de 1000 servidores ProLiant trabalhando interligados para multiplicar sua capacidade de processamento. Trabalhos de renderização de cenas que duravam até 3 dias foram reduzidos para apenas algumas horas. A solução era "transparente" para os usuários, que pensavam que os computadores estavam no prédio da Dreamworks, quando na verdade estavam na HP.

Outra linha de pesquisa com grande foco no HP Labs é Cloud Computing ou Cloud Services. O que se busca é utilizar aplicações distribuídas e infra-estrutura dinâmica de hardware para oferecer serviços independentes de localidade e dispositivo. Por exemplo, ao viajar para outro país é comum se ter o serviço de telefonia celular com várias restrições ou com o custo bastante elevado em relação ao país de origem. Com Cloud Services o aparelho funcionaria como se estivesse em seu local de origem e contaria até com serviços adicionais que somente pequenas operadoras locais podem oferecer.

O HP Labs também aposta alto em dispositivos móveis capazes de ler e interagir com o ambiente através de GPS e outras tecnologias. São basicamente handhelds e tablet PCs que quando apontados para um local captam informações sobre ele e apresentam informações diversas do interesse do usuário. Rich passou um vídeo com jovens brincando na rua com esse tipo de aparelho. Eles estão jogando uma espécie de game RPG onde os dispositivos mostram onde estão passagens secretas, prêmios, itens do jogo etc. Imagine um Wii para ser jogado ao ar livre e em grupo. Muito interessante até pelo fato de levar as crianças de volta para as ruas e para atividades como correr, pular etc.

Já na segunda metade da palestra, Rich aproveitou para falar mais sobre questões operacionais do HP Labs e sua filosofia de trabalho. Para mim, essa foi a melhor parte. Seguem os pontos de que mais gostei:

- "O inovador não é necessariamente uma pessoa brilhante". Grandes idéias vêm de pessoas que convivem com problemas do dia-a-dia e querem resolvê-los.

- "O ciclo da inovação" está cada vez mais curto". Empresas inteligentes são aquelas que conseguem mobilizar seus recursos de forma a inovar de forma rápida e consistente. Dispor de recursos nem sempre é determinante para o sucesso. Segundo Rich, até mesmo os 3,5 bilhões de dólares são pouco para promover toda a inovação dentro da HP.

Funil Hp Labs
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- "Breakthrough innovation só pode ser feita por grupos multi-disciplinares". Grupos uni-disciplinares tendem a produzir inovação incremental". A mensagem é, então, apostar na diversidade de visões e opiniões dentro da mesma equipe. Leia mais sobre esses dois tipos de inovação aqui.

Inovacao
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- "Colaboração precisa ser guiada para promover inovação". De nada adiante criar o fórum de discussão e o wiki se as pessoas só os utilizam para trocar receitas de bolo ou organizar a festa de aniversário do mês. Esses ambientes precisam ter uma razão de existir muito clara e conhecida.

- "Ambição". É o sentimento que alimenta a inovação. Sem ela o trabalho não avança e os investimentos são perdidos.

- "Word e não Power Point". Muito interessante. No HP Labs a cultura é de se escrever artigos, e não usar o Power Point. Segundo Rich, ao escrever exercitamos nossa capacidade de argumentarmos a favor de nossas idéias, facilitamos a memorização e a transferência do conhecimento. No Power Point as idéias e os contextos são perdidos gradativamente dia após dia.

- "Atitude de curto prazo é a pior barreira à inovação". Essa atitude coloca limites ao verdadeiro potencial de mercado daquilo que se desenvolve. Atitude de curto prazo só leva à inovação incremental e à solução de pequenos problemas.

Com isso Rich fechou sua apresentação e abriu para perguntas e respostas.

E a USP?

Achei curioso que o evento tenha sido na USP, e não numa instituição privada. As instalações do principal centro acadêmico do país são vergonhosas. O estacionamento é um caos. A sinalização interna é inexistente. O acesso ao auditório é cheio de imperfeições no piso. Vi três pessoas tropeçarem (inclusive o palestrante que quase foi ao chão). O auditório estava sujo, fedido e seus equipamentos tinham no mínimo 15 anos de uso. Como se não bastasse, o auditório fica embaixo de uma cantina! E as 11hs da manhã o "puxa e arrasta" de mesas e cadeiras irritava bastante quem tentava prestar atenção no palestrante. Na minha época havia aulas as 11hs da manhã... o que não é o caso na Poli. Andando pelos corredores percebi que muitos laboratórios estavam às moscas, assim como a biblioteca. A cantina, em contrapartida, lotada! E já que o assunto é comida, se o HP Labs faz filet mignon ao molho madeira, a USP tem dificuldade para servir arroz com feijão...

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