8 de setembro de 2008

Seminário Seki Shihan em São Paulo 2008

Seki Shihan é diretor técnico do Hombu Dojo em Tóquio, sede mundial do Aikido. Esta foi, se não estou enganado, a quarta vez que ele veio ao Brasil. O evento foi organizado também com o objetivo de celebrar os 45 anos de aikido no Brasil e os 100 anos de imigração japonesa no país. Casa lotada com aikidoístas vindos de vários estados e também de outros países da américa do sul.

Participei dos treinos do sábado e do domingo. Sendo que no sábado a tarde tivemos a apresentação da Lila Sensei (vídeo abaixo) para os Shihans, Seki, Ono e Kawai.

Durante os treinos do Seki Shihan pude perceber a simplicidade e a objetividade de sua técnica. É um aikido prático, direto ao ponto, e que exige muito de quem ataca (uke). No sábado durante o almoço pude conversar com o Leo que tem mais proximidade com Seki Shihan por conta das viagens ao Hombu dojo. Ele me disse que o Seki concentra seu treino e pesquisa em uma linha definida de técnicas, todo resto ele deixa de lado. E se há uma forma de encurtar a técnica de modo a conseguir projetar ou imobilizar o parceiro mais rapidamente, essa passa a ser a forma oficial. As vezes nos prendemos a detalhes que não fazem muita diferença na hora de justamente imobilizar o parceiro ou projetá-lo. Um exemplo é o katate tori ikyo. Sempre temos o cuidado de soltar a mão do parceiro para agarra-lhe o punho. Seki Shihan já não se preocupa com isso. Se o parceiro quiser continuar segurando é problema dele, pois na realidade todo o restante da técnica, a movimentação de corpo e a intenção de levar ao chão continuam inalteradas.

Outros pontos destacados pelo Shihan foram a angulação entre uke e nague. Sempre achamos que após uma esquiva, por exemplo, um tenkan, nosso corpo deveria ficar paralelo ao uke (costas com costas), quando na verdade o Shihan comenta que deve haver uma distância de proteção que permita duas coisas: liberdade de movimento e espaço para deslocamento do parceiro.

Também foi comentada a importância de se trazer o uke para frente do nague o mais rapidamente possível. Foi usado o exemplo do ushiro ryote kubitori onde o uke é lançado para frente já no primeiro movimento.

O Shihan corrigiu muito nossa forma de ataque. Segundo ele falta intenção de ataque, o que é comum entre os iniciantes, mas condenável entre os mais graduados. Dentre os ataques mais corrigidos (julgando pela quantidade de interrupções durante os treinos) foram: shomen uti, yokomen uti e ushiro ryote kubitori. O problema com este último foi que a intenção de ataque estava muito mais no quadril do que nas mãos para segurar o nague. Ai você pode imaginar o nague se movimentando com mais velocidade e o uke tendo que soltar as mãos, encerrando o ataque no momento inicial da técnica. Segundo o Shihan o enfoque é inverso. Toda a força deve estar na pegada para que o resto do corpo se solte e consiga responder à defesa do nague.

Foi um evento muito rico na questão técnica. Acho que todos puderam aprender bastante com o Shihan.

Seki Shihan 2008

Seki Shihan 2008

Tom, Lila, Gil e eu logo antes da apresentação

Nossa apresentação.



E a apresentação final do Shihan com Sensei Leonardo Sodré.

Um comentário:

Anônimo disse...

Opa, curti os comentários do seminário que você fez, muito interessantes as observações das técnicas! Seu blog aparece primeiro quando procuro Seki Shihan 2008. Sou faixa amarela e pratico em balneário camboriú.

Parabéns pelo blog, ótimo video!

Abraços

Maurício Arus