23 de outubro de 2008

Dá para levar redes sociais a sério?

Dá!

Veja o comentário que deixei no blog do Eduardo Fernandes, aliás, um excelente blog.

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Infelizmente (ou não), aqui no Brasil, a referência para o assunto redes sociais é o Orkut. Que do ponto de vista técnico/funcional fica muito a desejar. Basta ver sua história. Ele nasceu num daqueles projetos 20% do Google, evoluiu mas nunca conseguiu conquistar atenção da cúpula da empresa. O aplicativo em si era ruim, cheio de bugs, inconsistências e problemas de segurança. Esses problemas geram outros problemas na esfera do serviço, também capenga. Essa somatória de fatores negativos gerou a percepção que a maioria de nós tem a respeito de redes sociais. Escrevemos sobre redes sociais, mas o Orkut não sai da cabeça.

Rede sociais mais atuais e orientadas ao negócio como Facebook, MySpace, LinkedIn e Via6 têm um time de profissionais mais focado no negócio “rede sociais”, com vetores de receita bem definidos, segurança total da informação, e normas de conduta interna que funcionam. Quem nasceu e cresceu com essas não vê problema algum na forma como a interação se dá, muito menos com o grau de exposição, já que é controlado pelo próprio usuário.

Os ditos “digital natives” estão usando cada vez menos email… e blogs. Sim, isso foi tema na WiredNews essa semana. Os “digital natives” não vêem sentido na troca velada de informações via email. Eles nem usam isso mais. A troca em ambiente social é uma troca contextualizada, mais rica, com mais possibilidades de intervenção por parte dos participantes da rede. Este blog está associado ao iG, o que te dá uma certa visibilidade. Mas outros por ai, como o meu, tem uma visibilidade relativamente mais baixa, então por que se dar o trabalho de escrever? Por isso que o Multiply foi visionário e criou a funcionalidade blog dentro de sua rede social. Sucesso.

Meu primeiro ponto é, então, o contexto de comunicação das redes sociais que determina a possibilidade de troca de informações mais ricas e relevantes entre membros.

Meu segundo ponto é o aspecto comercial das redes sociais. Isso você sabe: ninguém está na web para fazer (só) filantropia. Alguém precisa pagar a conta. A estrutura de hardware e rede que esses caras precisam manter para que o serviço funcione é brutal. No ano passado fui visitar uma fábrica da HP em Houston, e lá vi um rack de storage sendo montado para o MySpace. Quanto? 128 discos de 500Gb + software de gerenciamento. Isso não é algo que você compra nas Americanas.com… e conversando com o rapaz que montava o rack ouvi: “Eles compram isso toda semana”. Bem, em suma, é caro. Então, você precisa ser muito agressivo com anunciantes, precisa investir pesado em tecnologias de “web semântica” para fazer distribuição de conteúdo. Só assim o dinheiro entra. LinkedIn e Plaxo cobram mensalidades/anuidades de alguns de seus membros. Por que?

Então, concluindo, nossa única salvação é sermos mais inteligentes na hora de filtrar informações, de definir corretamente nosso nível de privacidade/exposição e como queremos ser abordados por anunciantes e patrocinadores.

Tem muita gente por ai ganhando dinheiro com redes sociais, conseguindo emprego, buscando ajuda com festas de casamento, ensinando os outros a mexer no photoshop… o copo está meio vazio, mas não deixa de estar meio cheio também!

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Um comentário:

Herik disse...

Rodolpho,

Que legal que conheceu o Blog Magaiver. E que legal que minha pergunta acabou gerando discussão.

Redes sociais é um tema que eu não consegui "domar" para tirar o melhor proveito delas para mim e nem acho que vá conseguir o "melhor". Vou tentando tirar o que der de informação, conhecimento e principalmente contatos.