8 de dezembro de 2008

Agora nas escolas: Feira de Pseudociências

Calma, o título absurdo foi só para chamar a atenção. Não temos feiras de pseudociências nas escolas, ainda! Mas tudo indica que em breve teremos sim, já que agora escolas como o Mackenzie (SP) e o Colégio Batista resolveram adotar criacionismo em aulas de ciências.

Vamos imaginar então essas feiras de pseudociências (ou só "ciências" daqui para frente) acontecendo no colégio do Joãozinho, nosso filho, daqui uns dois ou três anos. Prepare-se, a viagem vai começar.

Vejam esses fósseis! São registros da vida que existia na terra há pouco mais de 6 mil anos atrás, mais ou menos quando Adão e Eva foram expulsos do paraíso.

Tem também esse grupo que apresentou fotos bárbaras do espaço inter-galático obtidas através do telescópio espacial Hubble. O "Hubble ultra deep field" nos mostra como Deus foi generoso quando estava criando o universo, pois uma pequena fração dele contém mais de 10 mil galáxias! O que dirá do universo como um todo? Mais interessante ainda foi saber que essas galáxias estão se distanciando de nós, Terra, centro de tudo. Outros planetas e o Sol continuam onde estão, próximos a nós, para que possamos utilizá-los diariamente na leitura de horóscopos e previsões astronômicas.

Ainda sobre previsões, aprendemos que a ciência pouco pode ajudar no sentido de tornar mais precisas essas previsões. Ninguém conseguiu prever catástrofes como os vários tsunamis que mataram centenas de milhares de pessoas nos últimos séculos. Podemos concluir que a incidência desses fenômenos naturais se dá segundo a vontade de forças malignas que se opõem a Deus desde o início dos tempos. Nosso planeta é jovem, por isso tem placas tectônicas se movimentando e erupções vulcânicas, mas até ai tudo bem. Agora, envolver pessoas inocentes, ai só pode ser coisa do demônio!

Chegamos a área de biologia, sem dúvida a seção mais interessante da feira de "ciências". Fomos direto para a banca da Arca de Noé! Muito boa, mas cometi uma "gafe" ao perguntar se os peixes também estavam na arca para serem salvos... que pergunta idiota. Claro que não estavam! Eles estavam a salvo nas profundezas dos mares e oceanos. E mais, os pássaros que voam (porque galinha não voa) voaram para cima das nuvens onde não há chuva. Salvaram-se todos. Ficou provado então que após o dilúvio havia um casal de animais de cada espécie mais todos os pássaros (que voavam) e todos os peixes.

Entendi muito bem quando me explicaram que Deus, quando fez o mundo, criou animais (bestas) que tivessem funções específicas para o homem, como por exemplo o cavalo, a cabra, o boi, o cachorro, o gato, o ganso, a galinha, o peixe etc. Mas ai vi um tipo de "peixe", porque se vive na água é certamente um peixe, que vive no fundo do mar e que não me pareceu ter muita utilidade prática. Esse aqui. Estranho, não? Por que será que Deus teve o trabalho de criar (ou de ao menos planejar) um bicho assim? Tudo bem, um dia a ciência irá me dizer o porque!

Deixamos a parte de química para o final, já que assim como a física dos planetas, tudo que acontece na química você precisa acreditar que existe, pois não há como provar que algo tão pequeno como o átomo possa existir. Não vejo átomos voando por ai. Você vê? Dá mesma forma que não vejo Plutão, apenas acredito que ele esteja lá. Telescópios e microscópios são apenas instrumentos que tentam reproduzir a realidade. Prefiro ler a bíblia e acreditar no que está lá, pois afinal, foi escrita por Deus, portanto, não há do que se duvidar.
Mas voltando a química, vi alguns experimentos com agrotóxicos e outros com adubos fertilizantes. Se existem mesmo essas bactérias, como elas puderam sobreviver ao dilúvio? Com certeza não estavam na arca de Noé! Sei lá... essa parte foi difícil de entender. Também não sei porque é necessário adubar a terra. Historicamente falando, o esterco de boi, um produto 100% natural, sempre existiu desde que Deus criou aquele animal. Aliás, isso confirma que Deus só criou animais que fossem úteis a nós, os homens!

Com isso terminamos nossa visita a feira de "ciências"! Pude concluir que a ciência ainda tem muito que evoluir para conseguir provar tudo aquilo que está nas escrituras. Entendo a decisão de Joãozinho de não se envolver com a ciência. É um caminho já "mapeado" por pessoas abençoadas que viveram no deserto há quase mil anos, e que não precisa ser revisto ou redefinido. Além do mais, fui advertido pela coordenação da escola que o mercado de trabalho não está bom para cientistas formados no Brasil. Não sei porque. Disseram-me que as empresas têm buscado cientistas de países como Índia, Coréia do Sul e China para fazer o trabalho "pesado". Então, para que preocupar-se com isso?!

E que Deus os abençoe!

Um comentário:

Rodolpho Arruda disse...

A posição do MEC:

""A nossa posição é objetiva: criacionismo pode e deve ser discutido nas aulas de religião, como visão teológica, nunca nas aulas de ciências"

Mais detalhes aqui