9 de novembro de 2009

Comentário a: "A década de Steve Jobs."

Não consegui postar no blog do BizRevolution, então aqui vai:

Bem, eu sou ex-funcionário da HP dos EUA, e quando li essa de que a HP não inventou nada na última década, caí para trás. E mais, boa parte das grandes inovações e dos grandes negócios no mundo rodam em infra-estruturas baseadas em soluções HP (hardware, software e serviços). O mesmo pode ser dito em relação a IBM, ela gera inovação e permite que outras empresas inovem através da tecnologia.

Por outro lado, a Apple pouco ou nada agregou, a não ser no marketing. Ela teve que abaixar as calças para a Intel e adaptar sua arquitetura de hardware para comportar um chip padrão de indústria. Isso permitiu a redução dos custos de produção, maior agilidade para responder ao mercado (fornecedor e consumidor) e um preço final mais baixo. Por muito tempo os computadores Apple só eram consumidos por agências de propaganda e produtoras.

Hoje os computadores da Apple não são melhores nem piores do que seus concorrentes. São commodities. A diferença está no design e no marketing. Já perceberam que naqueles vídeos do VP de design da empresa o foco está no chassis do produto? É de alumínio, monobloco etc... nada que agregue de verdade. É só um "eye candy" qualquer.

O mesmo modelo se aplica ao iPod (eu tenho um shuffle), toca MP3, vídeo e tem outras 199 funcionalidades que ninguém usa, e que nem a Apple se preocupa em "vender". Igual a ele existem outros milhares, inclusive os clones. Mas, de novo, nota dez ao time de marketing, que fez de algo medíocre, um sonho de consumo.

E o iTunes? É o famoso "intermediário", faz dinheiro com o produto dos outros. Vende música que alimenta a terceira indústria mais nociva do mundo depois do álcool e tabaco: a indústria de entretenimento norte americana. O iTunes só facilita a compra daquela música ou daquele seriado, mas não cria nada. Ele teve o poder econômico junto as gravadores que o garoto do Napster não teve. Aliás, ele sim foi um gênio... já fazia marketing viral, P2P, cloud computing, dava nó em advogados mundo a fora quando ninguém imaginava fazer o que ele fez. A Apple então agiu de forma oportunista e montou um negócio em cima da cultura que o Napster criou.

Por fim o iPhone. O aparelho é realmente inovador em vários sentidos. Pegou todos os outros players desavisados, usou o YouTube para gerar awareness e criou um SDK que permite a criação dos Apps. Agora vai ganhar dinheiro intermediando a venda de Apps feitos por terceiros. Com a chegada da loja de Apps da Microsoft e a possibilidade de converter Apps de iPhone para Windows Mobile a briga vai esquentar porque a quantidade de devices rodando o sistema da MS é muito maior que a quantidade de iPhones, que tem venda restrita em muitos paises ainda.

Twitter? Igual a Amazon, não? No começo todo mundo dizia que era uma bolha... que não iria sobreviver... hoje o CEO é o empresário da década. Vamos esperar.

Abrá!

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