27 de janeiro de 2010

A cultura de bactérias e a evolução de micro-mercados


Recentemente em uma entrevista para uma rádio da África do Sul, o biólogo evolucionista Richard Dawkins foi perguntado por um ouvinte sobre o uso de bactérias na pesquisa genética. Com suas respostas sempre muito acessíveis ao público em geral disse que o ciclo de vida das bactérias é tão curto (horas) que é possível observar a evolução de centenas de gerações em um intervalo de poucos dias. Na minha época de estudante usávamos moscas drosófilas, mas pelo jeito elas vivem demais quando comparadas às bactérias.

O aspecto mais interessante dessa pesquisa é a possibilidade de congelamento de culturas para uso futuro. Assim, pode-se congelar a geração #34 e esperar até que a geração #134. Feito isso a primeira geração é descongelada e ambas são analisadas em paralelo. Isso seria como descongelar fósseis de dinossauros para compará-los a lagartos e sapos de hoje em dia, e assim avaliar a resposta desse organismo supostamente menos adaptado a situações que somente as gerações mais evoluídas poderiam sobreviver (e se reproduzir).

No mercado de rua de Moema (SP) é possível pesquisar, mesmo que de maneira informal, o incrível ecossistema do varejo que vai desde um "armarinho" até supermercados como o Pão de Açúcar. Um bom exemplo são as farmácias do bairro. Existe aquela que faz tudo manualmente. Tem um processo de 5 etapas entre a coleta do medicamento no estoque e o pagamento. Cinco pessoas trabalham nesse processo! Não preciso dizer que essa farmácia tem o atendimento mais demorado do bairro.

Uma outra já é mais evoluída, tem dois sistemas distintos não integrados, um para controle de estoque e outro para o caixa. O balconista dá baixa nos medicamentos de trás do balcão e depois o caixa tem que lançar, via leitor de código de barras, todos os produtos novamente para o pagamento.

Outra até tinha o sistema integrado, mas ele não trabalhava com descontos! O desconto era feito separadamente via uma calculadora de mesa. Fiquei até com vontade de apresentar a calculadora do Windows à moça do caixa, mas a fila precisava andar. 45 menos 16 dá 29? Ok.

A "cultura mais evoluída" é sem dúvida a das grandes redes, lá o atendimento é rápido e cordial, a informática parece ajudar a empresa, ou pelo menos não atrapalha. Há práticas inteligentes de descontos e convênios com assistências médicas. Eles entregam em domicílio e tem no mínimo 4 vagas de estacionamento na frente da loja.

E esse incrível laboratório com algumas culturas vivas e outras congeladas (no tempo) está lá a disposição de quem quiser experimentar. Usei o exemplo das farmácias, mas há muitos outros que seguem a mesma linha.

Onde estão os estudos de campo das faculdades de administração? Onde está a pesquisa? Só em Moema é possível observar diferentes estágios de evolução da mesma empresa, ou pelo menos do mesmo negócio. Um prato cheio para quem gosta de perceber as diferenças e questioná-las.

Essa pesquisa dispensa aparato de descongelamento.

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