17 de março de 2010

Sobre trotes de faculdade

Gostei muito do comentário do Max Gueringuer que ouvi ontem a noite na CBN sobre trotes de faculdade. Nada como ter a opinião de quem tem fatos históricos a respeito de um assunto, que conhece causas, consequências etc.
 
Pelo que consegui reter, o trote nasceu na europa há mais de 100 anos. O cenário era completamente diferente de hoje em dia. Havia poucas faculdades, poucos alunos, e por isso poucos profissionais formados. Era uma elite econômica e social que festejava a chegada dos calouros de uma forma divertida e, pelo que entendi, totalmente aceitável por ambas as partes. A festa existia porque todos sabiam que o sucesso profissional já estava garantido no futuro.
 
Quando os mercados começaram a se expandir, a necessidade de capacitação aumentou, e com isso também a necessidade de mais "assentos" disponíveis nas faculdades. Só que a partir de um ponto esses assentos começaram a sobrar. No Brasil há casos onde apenas metade das vagas são preenchidas. E qual é o esforço exigido do vestibulando nesse caso? Muito pouco, basta praticamente pagar a matrícula e entregar a documentação. O trote que recompensava o grande esforço de antes, hoje perdeu o sentido de existir. Segundo o Max, existem mais faculdades no Brasil que supermercados.
 
O trote virou, então, um exercício sádico de abuso de um pseudo poder. A violência pela violência. Uma relação perde-perde.
 
Max termina falando sobre os trotes sociais, que além de serem "ganha-ganha", educam aqueles que nunca o fizeram, para que façam hoje e sempre. Muito bom!

Nenhum comentário: