10 de junho de 2011

Lembrei do Nizar

Hoje no almoço lembrei do Nizar quando lia uma passagem do livro O Cisne Negro (Nassim Taleb) que descrevia uma situação que o auto viveu durante a guerra do Líbano.

Lembrei de uma vez que o Nizar me contou como eram difíceis os tempos de guerra naquele país, principalmente a noite, quando não se podia acender uma lâmpada sequer, senão virava alvo do tiroteio.

No meio de todas as atrocidades daqueles tempos, do desespero e da falta de perspectivas, o então jovem Nizar continuou estudando, a luz de velas, todas as noites durante 5 (cinco) longos anos. Como não havia aulas, o jeito era estudar e re-estudar tudo de novo, de novo, de novo... Algumas noites eram tão silenciosas que dava medo de fazer barulho ao virar a página do caderno. Outras eram tão barulhentas que mal se podia conversar dentro de casa.

Terminada a guerra e passado o tempo, Nizar desembarcou no Brasil. Montou uma confecção de jeans no Brás, em São Paulo, e voltou a estudar. O que? Psicologia. Disse-me que estudar sobre as pessoas é "bonito".

Nizar... o libanês que estudou a luz de velas durante a guerra, estudou psicologia, treinou aikido e faz jeans no Brasil. Um libanês de conversa fácil e risada forte, assim como seu inconfundível (e as vezes dolorido) aperto de mão.

Dizem que minha memória é fraca, que não consigo lembrar o que jantei na noite anterior. Ela é seletiva, ainda bem. E hoje lembrei do Nizar e de suas histórias.

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