15 de fevereiro de 2014

"Onde você se vê daqui a 5 ou 10 anos?"

Quem já não foi questionado sobre isso numa entrevista de emprego? Seja ela em português, inglês ou espanhol; feita pelo analista de recursos humanos ou pelo presidente da empresa, a pergunta não falta, sempre está lá em (quase) todas as entrevistas.

Apesar de ser relativamente nova nas entrevistas, ela remete a um conceito antigo, o da progressão linear rumo ao topo da pirâmide organizacional.

Há quem pense que ela mede, por isso, as ambições pessoais do entrevistado. Se daqui a 5 anos o sujeito vislumbra estar no mesmo lugar, ou crescer pouco, tem algo de errado com ele.

É falta de ambição, coragem ou visão? Ou é preguiça? Conformismo? Cinco anos é pouco tempo para crescer dentro de uma empresa ou na carreira? Como saber? De que empresa ou carreira estamos falando?

Há também o outro lado. O lado superotimista de quem imagina chegar ao topo em pouco tempo. Então nesse caso cabe dizer que trata-se de excesso de ambição, coragem ou visão?

E o que dizer sobre as empresas que adotaram essa pergunta em seu processo seletivo, mas que não tinham sequer a mais vaga ideia sobre o que o futuro lhes guardava. É o caso da ex-gigante Blackberry, uma vez líder no mercado de smartphones, (aliás, era como os smartphones eram chamados antes desse termo "emplacar" de vez) viu sua participação de mercado minguar ano a ano até atingir níveis desprezíveis pela concorrência. Aposto que faltou reflexão entre os diretores da empresa sobre "onde iremos estar daqui há 5 anos?", pois ninguém em sã consciência responderia: "mortos!"

Como gerente de projetos há 12 anos, lembro bem quando essa pergunta futurística tornou-se praxe nas entrevistas de emprego. Logo na segunda ou terceira oportunidades de respondê-la percebi que meu sentimento em relação ao futuro era diferente daquele traçado pelo típico carreirista profissional.

A resposta é sempre a mesma, com algumas variações e ênfases dependendo do meu humor no dia, mas via de regra segue assim:

Espero daqui a 5 anos ter desafios mais interessantes do que os de hoje. E tenho certeza de que será assim. Nesses ____ anos como gerente de projeto vi os desafios crescerem ano a ano, projeto a projeto. Isso que alimenta minha ambição profissional. Cada projeto é único por natureza, ele sempre soma à nossa experiência, aos nossos conceitos. Portanto, preciso de novos desafios para servir de contrapeso à experiência adquirida. Esses desafios podem vir na forma de escopos diferentes, pessoas com culturas diferentes, pouco tempo, poucos recursos, diferentes padrões de qualidade e controle, e assim por diante. Tenho certeza de que a [nome da empresa] busca sempre crescer, se diversificar no mercado em busca de excelência, e para isso depende de projetos a altura, hoje e daqui ____ anos, e é nesse cenário que me vejo. 

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